“Tu queres que eu me chateie contigo?”

Paremos para pensar, o que transmitimos aos nossos filhos quando gritamos com eles? E quando temos filhos adolescentes que durante o diálogo nos demonstram todo o potencial da sua caixa torácica e lhes devolvemos aos gritos um “NÃO GRITES COMIGO!”.

O que nos leva a gritar com os que mais amamos? Mais precisamente com aquela criatura que enquanto tinha dentro de si lhe prometia uma vida sossegada e com uma banda sonora à altura do filme “Sete anos no Tibete”.
No topo da lista estará sem dúvida o cansaço, o desgaste, o dia mau no trabalho, o trânsito, os trabalhos de casa enquanto tem o jantar à espera de ser feito e sobretudo a incapacidade em levar o seu filho a comportar-se da maneira que considera melhor para si ou para ele.

fc679a4ce70d1cad07dc9a63182e5e79 copyPense comigo: Quando gritam connosco, tendemos como que por milagre a passar a respeitar essa personagem irritante da nossa vida? Não, claro que não. E no máximo, se “respeitamos” é por receio, ou medo.

O problema do gritar é precisamente esse, cria outros problemas:

– Promove a falta de empatia entre os elementos da família;
– Cria um fosso na comunicação;
– Desencoraja qualquer outra forma de lidar com sentimentos tão duros como a frustração, a raiva, a desilusão;
– Destrói a confiança e o bem-estar emocional da família.

Gritar não é comunicar e não existe uma única vantagem nesta manifestação sonora de desagrado, exceptuando se for de excitação e entusiasmo por algo que o seu filho tenha conquistado.Nesses momentos até é permitido dar saltinhos de alegria e apertar-lhes as bochechas ou despentear os looks capilares anti-lei da física que eles agora conseguem manter.

Estratégias para não gritar?

Antes de tudo, tem de perceber qual é o seu instigador de gritos, em termos mais populares o que é que “ lhe faz saltar a tampa”. Identificando o seu instigador poderá mais facilmente começar a preparar o seu corpo e a sua mente para reagir de forma diferente.

Por vezes basta apenas mudarmos a tão famosa frase dirigida ao outro “queres ver? queres ver eu a chatear-me contigo” por uma outra, dirigida a si“ não vou deixar que isto me aborreça, não vou deixar que esta situação determine o meu dia”. 

Acredite que consegue, porque a magia da vida diz-nos que se quisermos, somos capazes de conseguir!

Saia da sala, do quarto, ou do local em que está (tendo em atenção que é seguro o seu filho ficar sozinho na divisão).

Respire fundo e quando se sentir mais tranquilo, fale.

Explique.

Partilhe.

Parece simples não é? E pode ser.

Pense que a cada grito, está a dizer ao seu filho, que não sabe fazer melhor e que é legitimo que sempre que ele não saiba como e o que fazer, grite também.

Ps: Pode sempre gritar, vá à janela e grite, liberte a energia negativa e a tensão toda que tem acumulada,  não se importe com os vizinhos, garanto-lhe que eles também andam aflitos.

Cristina Nogueira da Fonseca

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