O BICHO PAPÃO da Educação Parental

Conheço e trabalho com muitas famílias e algumas delas ainda me chegaram a torcer o nariz ao termo “Educação Parental”, como se estas coisas do amor, do afecto e da educação fossem algo que se ensina numa cadeira de escola, enquanto se tomam notas e se trocam umas palavras com o “pai do lado”.
E ensina, não se ensina o amor, mas a capacidade de transmitir o que se tem, o que se sente e o que se é.
Comecemos por desmontar o mito de que a Educação Parental é um “produto” para pais que “não sabem ser pais”, errado, tão errado.

A Educação Parental é para todos os pais, independentemente dos seus muitos ou poucos desafios.
Se tivermos em conta que enquanto sociedade é para nós inconcebível um professor leccionar sem formação pedagógica e científica, não fará também sentido que os pais tenham também acesso a informação privilegiada no que diz respeito às fases e necessidades de desenvolvimento dos seus filhos?

Partimos do princípio que a capacidade e adaptação parental é inata, que “nasce” quando nascem os filhos (nem sempre acontece), o que na sociedade actual seria o equivalente a termos uma aplicação de smartphone “ser pai/mãe”, pronta para um download automático na cura das nossas ansiedades.

Mais do que uma “escola de pais” (não gosto do termo), a educação parental tem a finalidade de ajudar os pais, proporcionando-lhes informação de carácter prático, transmitindo-lhes princípios de aprendizagem, gestão do comportamento (o seu e o dos filhos), promovendo competências de comunicação e resolução de problemas no novo dia-a-dia da família.

Pensem na Educação Parental como uma caixa de ferramentas, é isso que ela é, uma caixa metálica em que colocamos informação, manuais e ferramentas que não sabemos se um dia nos farão falta e à qual recorremos quando necessitamos de “recuperar” ou “ajustar” alguma coisa na nossa vida.

Quando estamos a construir uma casa sólida, uma casa na qual queremos ser felizes, precisamos de muitas ferramentas, a construção leva tempo, faz barulho, acumula pó e acabamos os dias desgastados e cansados, a parentalidade é um bocadinho assim, os primeiros tempos de desafios deixam-nos cansados e por vezes desesperados, mas quanto mais consistente e composta for a nossa caixa de ferramentas, mais depressa construímos a nossa casa e menos vezes necessitamos da “chave de parafusos” ou do “martelo”.

A educação parental não inventa novos pais, não resolve milagrosamente os problemas das famílias, mas dá aos pais a força, a coragem e a competência necessária para novamente se sentarem ao volante da vida.

Cristina Nogueira da Fonseca

EP

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