O bom comportamento (dos pais)

BCOMPORTAMENTO

Detesto rótulos. Considero-os limitativos e enganadores.

A expressão “bom comportamento” é daquelas expressões que me causa urticária. Afinal, o que é o bom comportamento? Que mantra é este que se proclama como a causa da maioria dos desafios da parentalidade?

Bom comportamento poderia ser algo do género:

– “uma criança comportar-se como seria esperado/pretendido pelos adultos”;

– “não fazer birras em supermercados”;

– “não gritar enquanto está num jantar com os pais e está carregadinha de sono”;

– ” cumprimentar a tia-avó de 75 anos sem ser forçada”;

– “não dizer palavrões” (mesmo quando os ouve na escola ou por vezes até em casa);

– “não repetir os comportamentos que vê os seus adultos-modelo ter”.

Afinal o que é o bom comportamento? É que o “mau comportamento” todos parecemos saber na perfeição identificar.

Categorizamos muitos dos nossos miúdos de “mal comportados” quando na realidade eles apenas reproduzem aquilo que nos vêm fazer.

Nenhuma criança inventa formas de estar e ser, todas as crianças aprendem a ser e a estar, e ela está a ver, você nem precisa de verbalizar…ela está a ver.

Partilho convosco algumas dicas que vos podem ser muito úteis na promoção do tal “bom comportamento”.

  1. Seja o modelo.  Simples.  As crianças não aprendem apenas rapidamente os palavrões, também assimilam o obrigado, o com licença e  o se faz favor…
  2. Sempre que o seu filho tiver um comportamento que lhe desagrada seja explícito em relação a isso. Diga-lhe claramente qual foi o comportamento que não quer ver repetido, explique-lhe como é que isso o faz sentir e sobretudo não se esqueça de lhe dar alternativas de comportamento para situações futuras.
  3. Sempre que apanhar o seu filho a ter um comportamento que queira ver repetido, demonstre-o. Elogie os comportamentos que quer que ocorram com mais frequência.
  4. Quando quiser ter conversas “sérias” com o seu filho, coloque-se ao mesmo nível dele, olhos nos olhos. Deixa o seu filho mais sereno e quebra o desequilíbrio físico de poder. No fundo o que quer é que o seu filho ouça o que está a dizer e que não que se sinta intimidado.
  5. Mantenha a sua palavra e as suas promessas. Se promete que brinca com ele ao fim do dia, brinque. Não há nada pior para uma criança que sentir que os pais são mestres na arte do “não acontece”. Mantenha a sua palavra em tudo.
  6. Faça o seu filho sentir que é importante para si, para a sua família. Ajude-o a encontrar o seu tesouro, as suas qualidades, o que o torna único e especial. Somos tão mais fortes quando encontramos o nosso super poder!
  7. Diga Amo-te, ou gosto de ti, ou abrace, o que o fizer sentir mais confortável.
  8. Toque, o toque tem o maior dos poderes, use as mãos para transmitir carinho e afecto e transforme os seus braços em refúgios.

AH! E não se esqueça que é isso mesmo, uma criança, talvez seja altura de deixarmos de esperar, querer e ficar profundamente irritados quando uma criança “teima”em não se comportar como um adulto.

Já vos disse que detesto rótulos?

Cristina Nogueira da Fonseca

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One thought on “O bom comportamento (dos pais)

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