Palmadinhas de “amor”?

Quero escrever sobre palmadas, sobre imposição física e desrespeitosa. Sobre poder.

Sobre o cenário de um gigante de 3 metros (sim, é o que parecemos ao pé de uma criança) que nos abre e levanta a mão, agarrando-nos no braço e num gesto de soberania física demonstra que manda e que decidiu que acabou.

A palmada não é pedagógica, não é disciplina, não educa, não ensina.

Provoca dor, mau-estar, perda de valor.

Talvez até seja por parte dos pais um comportamento infantil, uma birra, uma clara manifestação de incapacidade em gerir a situação e como não podem cerrar os braços e bater o pé, abrem a mão!

A palmada deseduca o afecto, a proximidade, o respeito e incute a noção de que a violência é uma resposta imediata para qualquer situação que consideremos errada ou que simplesmente não conseguimos controlar.

Numa altura em que tanto debatemos a violência doméstica, em que somos positivamente bombardeados com frases (per)feitas como “a única coisa que bate é o coração” ou “ o teu namorado de 16 anos não é nervoso, é uma besta”, talvez seja também importante reflectirmos porque ainda validamos as chamadas palmadinhas de “amor” ou “pedagógicas”.

E que um gigante é grande e não nos deixa ver para além dele. E é um perigo quando crescemos a acreditar que só existem gigantes.

Cristina Nogueira da Fonseca

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