Tens tanto poder que até podes prescindir dele!

578112_398318006938172_649664234_nDuas das minhas grandes amigas foram mães recentemente. O F. tem mais de um ano e a D. uns pequenos meses de vida de luxo, maternidades desejadas, planeadas e apaixonadamente vividas, que têm feito com que nos nossos jantares regulares as conversas girem em torno de educação, amamentação, sono, perfis parentais e com que normalmente sobre para mim quando chega a pergunta “o que é que tu pensas disso?”.

A semana passada conversámos sobre aquilo que alguns dos seus mais próximos consideram de “técnicas modernas de educação” e que na realidade (deles), não dão educação nenhuma, fazendo isso sim com que as crianças não façam nada do que se lhes “manda” e fiquem “do piorio”.

Negociar é afinal uma técnica moderna e à luz destes “especialistas”, é quase uma perda de tempo porque “os miúdos não têm querer”.

Poder e Medo.

Talvez estas sejam as palavras que estão na base deste veto negocial.

Claro que é mais prático e rápido para os pais ditarem. Lembram-se o que significava um ditado na escola? Escrever tal e qual o que a professora estava a dizer e tudo o que não fosse exactamente igual, era considerado erro. E por vezes, só errávamos porque nem tínhamos percebido bem a palavra.

Ditar. Mandar no querer de alguém significa dar-lhe zero opções de escolha.

Significa retirar-lhe o direito de pensar, de reflectir, de ponderar, de priorizar, de se conhecer, de o conhecer.

Negociar ensina ao teu filho que tu queres saber dele, do que ele sente, do que ele precisa. Que tu queres entender porque é que ele quer outra coisa e que até estás disposto a aceitar isso.

E depois?

E depois o teu filho aprende.

Aprende que confias tanto nele que acreditas que ele consegue fazer escolhas. Algumas boas, outras que serão aprendizagens.

Aprende que há alturas em que tem de balancear as suas próprias necessidades com as necessidades dos outros, aprende contigo, aprende de ti.

Negociar não é perder poder.

É ter poder.

É amar, mesmo com medo do destino, tu queres é que ele vá longe.

E se tu deixares, ele vai.

Dá-lhe ferramentas. Deixa-o ser espigadote quando não concorda com o que tu queres. Ouve-o. Ele tem uma vida inteira para construir, uma vida inteira dele.

Os miúdos têm querer.

E o que eles querem é  que confiem neles.

Querem aprender a não ter medo.

Começa tu.

 

Um beijo à H. e à C. por terem medo e mesmo assim não trancarem as portas.

Cristina Nogueira da Fonseca

 

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