Crianças de Marca

Tão bem vestidinhas e sem um abraço para ir

Hoje (e acho que  sempre) a maioria dos pais vive em modo fadiga, são criaturas exaustas, hamsters que passam o dia na sua rodinha, que passam o dia a correr de um lado para o outro, de prioridade em prioridade e quando chegam finalmente a casa, sobra muito pouco para dar e partilhar com a família.

Esta é a cultura do ter e não do ser.

Muitas pessoas gastam dinheiro que não tem, para comprar coisas que não precisam, para impressionar pessoas que não gostam.” W.S

A cultura da criança de marca, que tem um sem fim de actividades extracurriculares para desenvolver todo o seu potencial físico, intelectual, mesmo que em detrimento do emocional e afectivo.

A cultura da exigência e da expectativa.

A cultura da casa modelo e do  “não se salta no sofá da sala”.

A cultura da família que não fala, mas se não fala é porque está tudo bem.

E equilibrar responsabilidades é particularmente difícil numa realidade com o culto do sobrecarrego. Estar ocupado é bom.

Mas se as famílias e se os pais nunca estão em casa como é que vão influenciar os seus filhos? E pior, se eles não o fizerem, quem o fará? Como é que vão criar uma relação? Transmitir valores?

Sei que o trabalho é fundamental, que nos dá dinheiro para comer, apesar da comida nascer nas árvores, o dinheiro não nasce, precisamos mesmo de trabalhar por  ele para ter um tecto sobre a nossa cabeça, mas quando o trabalho destrói a nossa identidade e união familiar é sem dúvida um custo demasiado alto.

 

“Ninguém é Insubstituível”

 

 

Verdade na tua empresa, mentira na tua família.

Um pai é insubstituível

Uma mãe é insubstituível.

Valorizar a família não é só sair cedo para trabalhar e não chegar atrasado ao emprego é também não chegar atrasado a casa.

É deixar o trabalho onde ele pertence e se tiveres de o trazer para casa, deixares para quando os teus filhos forem dormir.

É perceberes que se o teu trabalho é tão stressante que não te permite ter a vida que gostarias de ter e que se te faz sentir que não és o pai ou mãe que consegues, podes e queres saber,então tens de arranjar outro.

Dramático? Talvez, mas qual é a alternativa?

Teres filhos lindos, lavadinhos, bem alimentados, educados e vestidinhos de marcas mas com quem não estás a conseguir construir uma relação e que sentem claramente que não são uma prioridade para ti? Que crescem a acreditar que ganhar dinheiro é o mais importante na vida e que isso justifica o abandono emocional dos que amamos? Que valemos pelo que conseguimos comprar?

“amo-te mais que este email, mais que esta reunião, mais que a pilha de contas em cima da bancada”

Não são as casas grandes, os bons carros ou as roupas de marca que fazem uma família feliz, é o colo, a atenção consciente, o interesse, a presença.

A tua presença.

Está mais. Sê mais.

Cristina Nogueira da Fonseca

 

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