Regresso às aulas e outras pilhas de nervos

De volta à escola!

(pensar com os meus botões sobre este início do ano escolar…)

Será que já saiu o horário? Quem será o professor este ano? Quando é que vai ser a reunião? Será que os miúdos se vão adaptar? Será que vai correr bem? O Sebastião vai para o primeiro ano e na semana passada disse que não queria ir para a escola (Quer brincar e na escola não se brinca! Hummm?!?!?). A Leonor vai para o quarto ano, mas vai mudar de escola (ontem não conseguia dormir porque lhe doía a barriga! Hummmm?!?!)

A mim também já me dói a barriga….Tenho de começar a deitar os miúdos cedo para os conseguir pôr a horas na escola! Vai começar a sina das manhãs: “Acorda Sebastião! Levanta-te Leonor! Come os cerais! Vamos que estamos atrasados!”

Só de pensar já estou cansada! Mas vamos lá, sou uma super mãe e tenho de conseguir um primeiro dia de aulas exemplar, para sempre recordar!!!!

Deixa ver…

Mochila – check;

Despertador com pilha e hora certa – check;

Roupa nova – che…bolas!!! Não é que o miúdo conseguiu convencer a avó a vestir a tshirt nova para ir brincar para o parque e já lhe espetou uma nódoa com o gelado do lanche!?!

Hummm parece que é melhor rever – dei comigo a tentar recordar os meus primeiros dias de aulas e não me lembro de nada!!!!

Recordo sentimentos e sensações ,  percepções, um ou outro episódio (que nem sei se foi na primeira classe ou na quarta) mas o primeiro dia de aulas, népia! Nicles batatóides! Não faço ideia do que aconteceu!

Sei que gostava da professora primária, recordo alguns professores do ciclo e da secundária, uns porque gostei outros porque odiei, lembro-me de alguns contínuos, de alguns episódios na sala outros no recreio, mas por mais que tente não tenho qualquer memória do meu primeiro, nem dos outros primeiros dias de aulas. Então… serei desmemoriada?!?

Bem, lembro-me bem da primeira mochila, foi o meu avô que ma ofereceu, com a promessa de que eu ia aprender muitas coisas e que até podia vir a ser médica!

Lembro-me do cheiro da escola,todos os anos sentia o mesmo cheiro que me trazia boas lembranças e o desejo de voltar (hoje ainda consigo sentir o mesmo cheiro e acordar boas memórias, sempre que levo os miúdos ao seu primeiro dia de aulas!).

Lembro-me do entusiasmo de ir em família comprar o material para o novo ano E do cheiro dos livros novos!

Lembro-me da alegria de abrir os livros novos!

Lembro-me das saudades dos amigos e da alegria de os voltar a ver, das palavras que atropelávamos para contar uns aos outros como tinham sido as nossas férias!

No meio destas recordações dei comigo a pensar que todos os anos o setembro é recebido com entusiasmo, com alegria, com ansiedade e com memórias! (Grande sorte a deste mês!)

Nós pais vivemos um misto de sentimentos e planeamos uma série de passos que temos de dar para que tudo corra na perfeição…na verdade todos nós pais queremos voltar ao nosso primeiro dia de aulas!

Não porque nos lembremos exatamente de como tudo aconteceu nos nossos vários primeiros dias de aulas, mas porque temos a incrível capacidade de guardar as emoções fortes que nos acompanharam e de as recordar intensamente sempre que são ativadas (neste caso com os nossos filhos). Da mesma forma criamos e ativamos memórias nos nossos filhos!

Visto assim, se calhar temos de pensar se temos mesmo necessidade de criar o momento perfeito, com a calça engomada, a melhor mochila, o melhor professor, a melhor escola, ou se o melhor mesmo será relaxar e viver o momento!

Os nossos filhos irão mesmo recordar sensações, emoções e um episódio aqui e ali…e essas serão fortemente influenciadas pelos sentimentos e pela segurança que lhes transmitimos e pela sua perceção e análise do nosso comportamento.

Se acordamos a dizer: Vá acorda! come rápido, veste-te, calça os sapatos! vamos rápido, temos de nos despachar! Eles vão ficar também em modo acelerado!

Se lhes mostrarmos que estamos ansiosos, aflitos, preocupados, eles vão ficar a pensar que algo pode não ser assim tão bom neste regresso ás aulas! Como é que lhes dizemos que é bom e vai correr tudo bem se depois não bate a bota com a perdigota, no nosso comportamento?

Bora lá deixar os miúdos aproveitarem este dia, começar o dia com aqueles miminhos tão bons que conseguimos fazer ao fim de semana porque podemos ficar até mais tarde (para isto é só NÓS acordarmos 10 minutinhos mais cedo!), reconhecendo-lhes o direito de sentir as borboletas na barriga , de entornar o leite, de calçar os sapatos ao contrário e rir com eles das trapalhadas que conseguimos fazer quando estamos mais nervosos; chegar à escola com ar triunfante (mesmo que com o nariz ranhoso) e dizer aqui vamos ser felizes!

 

Cláudia Fernandes – Happytowner 
Terapeuta familiar, Educadora Social e Mãe

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