…queria que estivessem comigo, de verdade!

 

 

Vivemos tempos difíceis e complexos… se alguém nos últimos tempos tivesse a ousadia de nos dizer que nesta altura estaríamos a viver com as restrições atuais, seria gozado ou acusado de loucura por todos, poderia até parecer estar a narrar um qualquer filme ou série apocalípticos da Netflix©

A verdade é que um dos efeitos (se calhar o único positivo) do Coronavírus foi ter-nos obrigado a levantar a cabeça, a deixarmos de olhar apenas para o nosso umbigo e voltarmos a olhar ao nosso redor (entenda-se, a repararmos mais nas pessoas com que estamos diariamente seja em casa, no nosso trabalho ou simplesmente aqueles com quem nos cruzamos), de nos centrarmos em coisas realmente essenciais e não estarmos a perder tempo e energia com questões pouco ou nada importantes, assim nestes últimos dias…

– voltámos a ter famílias inteiras juntas, às refeições e noutras atividades conjuntas (que vão desde a colaboração nas tarefas domésticas, alguns trabalhos manuais, a lerem em conjunto, a fazer equipa em jogos de tabuleiro ou mesmo online… não esquecendo algumas tarefas de consolidação de conhecimentos definidas pelas escolas);

– temos pais e mães que têm descoberto filhos que, apesar de estarem diariamente com eles, mal conheciam e de quem pouco sabiam sobre as suas vidas;

– existem muitos homens e mulheres que têm reparado que ainda estão em casa as pessoas com quem se juntaram ou casaram… mas que, ao longo dos últimos anos, por descuido, comodismo ou outro qualquer motivo, teimaram em não os “ver com olhos de ver”;

– temos visto pessoas a redescobrir e a partilhar através das redes sociais, os seus talentos para a escrita, a leitura, a pintura, a música e em tantas outras atividades que por falta de tempo ou pelo cansaço do dia a dia foram deixando para trás… o ser humano transcende-se nos momentos de crise, perante desastres naturais e humanos… infelizmente, demasiadas vezes, precisamos de algo que nos “abane” de verdade para que possamos reaprender o que realmente importa, não tenho quaisquer dúvidas que existirá um tempo AC e DC, ou seja, Antes e Depois deste Coronavírus! 

Há uns anos, em conversa com um miúdo muito especial ele dizia-me que o seu maior sonho era fazer um cruzeiro com a família.
– Guilherme, como vão ser as tuas férias?
– Ainda não sei… mas o que eu gostava era de fazer um cruzeiro!!!
– Um cruzeiro? Gostas de barcos… de estar no mar?
– Mais ou menos, eu queria mesmo era estar uns dias só com a minha família, todos juntos, a brincarmos juntos e ninguém estar sempre fora de casa, a trabalhar ou no café… queria que estivessem comigo, de verdade… e num cruzeiro não haviam desculpas, estás a perceber, Luís?

Que tudo o que estamos a viver, numa quarentena preventiva que é o único caminho para vencermos esta guerra, porque é disso que se trata… nos sirva para nos tornarmos a melhor versão de nós próprios, pessoas mais tolerantes, disponíveis, empáticas e comprometidas com os outros… ou seja, que nos torne mais humanos.

Luís Fernandes – Pai, Psicólogo, Herói Nacional na luta contra o Bullying

 

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