Lição Nº2 – Posso recomeçar sempre que for preciso!

Os primeiros dias foram de  inquietação e medo – acredito não estar sozinha nestas emoções –  consumida pelo medo de perder, perder família, amigos, medo das consequências ao ver todo o nosso trabalho cancelado e adiado, medo do que isso representaria na nossa vida e na capacidade de a continuarmos a viver com dignidade.

Mas algures nos dias a mudança chegou, pela primeira vez na história das minhas decisões percebi que não podia decidir grande coisa, que não podia ir para a rua trabalhar, que não podia meter-me a caminho e ir buscar a minha avó, que não podia estar em momentos importantes dos meus. A sensação presente era, impotência.

Nunca tive perfil para calimero, ou para culpar outros pelas minhas circunstâncias e com o avançar do calendário, percebi que para avançar, teria primeiro que parar! 

Comecei a reconectar-me comigo, creio que fiz essa escolha de forma inconsciente, nunca fiz planos para aproveitar o isolamento social para aprender arraiolos, fazer pão ou ver as séries em atraso da netflix mas a verdade é que nunca tendo feito planos para nada extraordinário, sinto que algo extraordinário aconteceu.

A necessidade de reinventarmos a forma como temos vindo a trabalhar, forçou-me olhar para todos os projetos presentes e futuros que a equipa tinha em mão. Como recomeçaríamos uma nova forma de chegar às famílias e aos técnicos. ?

Neste processo de criar, revi-me, voltei à energia e alegria que sempre tive, voltei a sentir a paixão da criação, a criatividade, o desejo, o entusiasmo de partilhar e construir.

E no processo de criamos, apaixonei-me por uma equipa que ainda hoje não sei se escolhi, se me escolheu, pela qual sou a cada dia que passa mais grata.

Escolho acreditar que este tempo tem o seu propósito, mesmo que isso soe a ingénuo ou tonto. A mim reconduziu-me à minha essência, que por vezes andava meia perdida no pó dos dias, nos “tem de ser”. no lufa lufa do dia-a-dia e na facilidade com que tentamos agradar aos que gostamos.

Quando percebi que tínhamos ficado sem nada do que tínhamos em equipa pensado e planeado , foi também o momento em que senti que podíamos renovar-nos em tudo.

Que nesta fase, cada um de vós encontre um pedaço de tempo ou de alma, para se reconectar, consigo ou com o outro. A felicidade é um acto de coragem, que muitas vezes requer tempo ou uma qualquer “tragédia” que mude tudo para sempre.

Para muitos de nós, estes serão tempos difíceis, emocional, social e financeiramente. Este confinamento não é para todos um passeio no parque, há medos, cansaço, frustrações, ansiedade e insegurança sobre o quando e o como do resto da nossa vida.

Mas mesmo assim, permitamos que este momento nos recorde da nossa finitude, fragilidade e vivamos estes tempos com bravura.

Eu, mesmo a medo, vou!

É que se há algo que a vida já ensinou, é que em qualquer dos seus campos, podemos recomeçar todas as vezes que for preciso. Aconteça o que nos acontecer.

Cristina Nogueira da Fonseca

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