O método C.A.L.M.A

 

Se há uns meses nos dissessem que iriamos ser invadidos por uma pandemia teríamos de estar em casa confinados, faríamos um brinde à ideia mais descabida do ano de 2019.

Sabemos muito (demais até) sobre tão pouco e isso é desconcentrante.

Sem darmos conta as preocupações de ontem, hoje ganham outra proporção; a motivação para manter a espécie de rotina criada nos primeiros dias vai dissipando; a criatividade para os almoços e jantares vai-se resumindo a douradinhos com arroz; e fazer ponderações sobre o futuro a cada dia que passa fica mais difícil. Já para não falar da dificuldade que provavelmente passou a ser escrever um email do início ao fim, sem pausas para lanches, separar as típicas brigas de irmãos ou ouvir as 30 razões “extremamente pertinentes” para não fazer os trabalhos de casa.

Tudo é mais intenso, com um senão: Não vivemos no presente, vivemos o futuro. Quando é que vamos poder voltar ao escritório? Quando é que podemos ir levar os miúdos à creche/escola? Quando é que podemos ir às compras sem achar que estamos numa sequela do Hunger Games? É disso que a ansiedade se alimenta. Ruminar nas mesmas ideias, nas incertezas e nas especulações, e vivê-las.

O primeiro passo é sempre o mais difícil de dar. Ao invés vos deixar já um conjunto de estratégias, isso ficará para outro post, prefiro que reflitam. Vamos tentar reestabelecer a CALMA.

Contemplar

Parem. Agora olhem à vossa volta. Conseguem ver tudo aquilo que conquistaram até agora? Todos os problemas que pareciam impossíveis de superar, mas que conseguiram resolver? O mérito é vosso, independentemente do caminho que tenham feito para conseguir chegar ao vosso objetivo. Neste momento, mais do que a culpa por não conseguir lidar com tanta coisa nova a acontecer é importante que parem e pensem: “não é isto que me define”.

Aceitar

Se há dias em que vemos o arco íris e sorrimos; há outros em que a tempestade não deixa sequer ver um raio de sol. Aqui para nós que ninguém nos ouve, digam lá quantos de vocês é que já desejaram enfiar os miúdos num foguetão e enviá-los para Marte? A eles e à nova “televida” que basicamente é uma mistura entre telescola, teletrabalho e telejornal. A permissão de viver momentos menos positivos ajuda a aliviar a pressão.

Libertar

Com todas as alterações no sistema educativo, os pais viram aumentar às suas funções o papel de professor. Todos nós sabemos a importância que é dada à escola, mas não devemos fazer disso um fardo. Baixem a expetativa; já há tanta coisa para conciliar. É humanamente impossível chegar a todos os lados. Mais vale feito que perfeito, mas nunca de qualquer jeito.

Manter

Tentar chegar a tudo e todos pode ser meio caminho para a frustração e o sentimento de incompetência ganharem esta batalha. Manter o foco no atingível, poderá ser uma mais valia para atenuar pensamentos. Comecem por distinguir o que está dentro e fora do vosso controlo, e vão excluindo hipóteses. Como se criassem um mapa mental do problema, em que as respostas se resumem a sim e não.

Agir

Rezar para que o dia chegue, ou não, ao fim não me perece uma ideia muito útil neste momento. Estamos a pôr mais uma carga negativa naquilo que é a nossa vida.

Se é para passar rápido, ao menos que termine com algo proveitoso. Façam algo por vocês. Se gostam de cozinhar, de ler, de ver series, de ver o direto do Bruno Nogueira no instagram  ou de simplesmente não fazer nada; façam-no! Nesse momento tomem atenção ao processo, a todos os passos a dar. E quando terminarem procurem o que aquele momento vos transmitiu, seja positivo ou negativo. É meio caminho para perceber o que resulta ou não com vocês.

E agora, brindamos ao ano mais desafiador das nossas vidas?

Leila Costa – Psicóloga Clínica | Happytowner 

Um pensamento sobre “O método C.A.L.M.A

  1. GOSTEI BASTANTE DE LER O ARTIGO.
    Pois não há dúvida que, a CALMA, é a chave que devemos ter sempre à mão para lidar com o que vai surgindo no dia à dia que estamos a viver, com muita insegurança, muita mudança, muita incerteza e com todos ou quase todos os elementos da família 24 horas em casa… nem sempre é fácil e exige adaptações constantes, acordos e muita paciência e tolerância uns com os outros… o que é um desafio exigente!

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