“mergulhados” no medo.

O medo.

O que tranquiliza as nossas crianças não é o facto de os adultos ao seu redor não sentirem medo ou demonstrarem que não sentem medo. Aliás, bem pelo contrário, o que as tranquiliza é precisamente o saberem que todos os adultos têm medo.

Uma criança que pensa ser a única a sentir medo, que pensa que o pai ou a mãe não sentem tal emoção, rapidamente se sentirá confusa. O que, como é evidente agrava todo o sentimento de insegurança.

Como ajudar as nossas crianças a gerirem o medo?

É fundamental que respeitamos a emoção, só nessa condição a criança confiará nela própria. Respeitar a sua emoção mesmo quando parece irracional, a criança sente medo e esse medo não tem nem deixa de ter uma razão, tem sim, uma ou várias razões, mesmo que nem a criança ou nós adultos as conheçam ainda.

Escutar. Perguntar, “o que te causa medo?”, “do que tens medo?” mas há que aprofundar a resposta, ouvir um “tenho medo do mar” é extremamente vago. Terá a criança medo da imensidão? medo das ondas? medo da pressão que a água faz quando nos puxa?. Perguntar e ser ouvida permite à criança exprimir a sua verdade, é que ao escutar a sua resposta vamos estar a contribuir para que ela própria descubra as suas motivações.

Aceitar. Compreender a emoção. “Compreendo que possas ter medo do mar, porque ele é tão grande e por vezes puxa-nos com força”. Reconhecer a emoção da criança, é manifestar a nossa aprovação e manifestar a nossa provação é reconhecer-lhe o direito a sentir o que quer que seja. Não procuremos cura-los do medo, nem partir para a resolução do problema. Mostremos empatia e compaixão porque é tudo o que o uma criança com medo precisa.

Usar o “eu também”.Eu também senti medo, eu também sinto medo, partilhemos a nossa vivência, busquemos pela nossa infância, pelos nosso medos. Digamos a verdade, sem floreados e escolhamos um medo que a criança não sinta, para que ela se possa sentir forte.

Procurar com ela os seus recursos internos, todos já vivemos a experiência de ultrapassar algum medo, até a criança.  Recorde-a “lembras-te daquele medo que tu tinhas e que ultrapassaste? – por exemplo da primeira vez que ficaste a dormir em casa do João? Lembras-te que foste corajoso e que regressaste a casa todo contente”. Relembremos como os seus recursos interiores já a ajudaram a libertar-se de medos.

Satisfazer a necessidade da criança por informação. Agora que a criança estabeleceu contacto com os seus próprios medos, ela precisa igualmente de receber informações, ou seja, de saber se o mar é perigoso ou não. Quem tem medo por norma necessita de tranquilização e informação. Este processo da explicação só deve ser feito depois de escutada a emoção da criança, só depois dela estabelecer contacto com os seus recursos interiores é que ela estará preparada para pensar em formas de enfrentar o mar. Deixemos a crianças pensar sobre isso.

 

Não forçar a criança a libertar-se do seu medo. Não a testemos, não a levemos pela mão para o mar porque não irá acontecer nada, respeitemos a emoção dela, a altura dela, porque só o livre arbítrio nos permite sentir que temos poder sobre o ambiente e só ele cria as condições necessárias para ultrapassarmos os medos.

Os nossos e os das nossas crianças.

Cristina Nogueira da Fonseca 

 

 

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